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DEFICIENTE VISUAL NA TRILHA |
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Sexta-feira, 09/04/2010, final de expediente:
- Aí, Simoninha, mais um DV confirmado.
- Uai, é?! Quem? Ninguém me ligou...
- O Marcelino que mandou o e-mail confirmando. É o Rubens.
- ...
- ...
- Caracas!!! ... como vamos nos comunicar com ele então?
Ficamos eu e Bruno conversando e imaginando como seria isso.
Sábado, nove e pouco, chegamos ao nosso Projeto.
A Iza vê um DV do lado de fora indo embora.
- Ei! Ei! – chamamos.
E nada...
Pensei: só pode ser o Rubens.
- RUBENS!!!!!!!!!!!!!!!!
- Ow! Ele é surdo!!!!!!
- Aié mesmo... ?!?!
1º ‘mico’
E o homem indo embora. Tomara que não dê tempo de pegar o ônibus.
Corremos e chamamos o vigia para abrir o portão.
-Tum, Tum, Tum – esse era o nosso coração ansioso.
Já pensou... a primeira vez que um DVSM (deficiente-visual-surdo-mudo) vem prestigiar o Projeto e vai embora sem nos encontrar.
De repente, enquanto o vigia abria o portão, em clara intuição, o Rubens pára se vira para nós.
UAU!!!!!!!!!!!
2º ‘mico’.
O portão foi aberto... UFA!!!!!!!!!!!
Na verdade, foi um alívio para nós três e tentamos infrutiferamente nos comunicar nos primeiros minutos.
Ele apontando para o joelho e fazendo sinal de “pequeno” com os dedos.
Perguntei – você sente uma pequena dor no joelho?
Ele abriu os dois braços em torno do próprio corpo.
- Já sei, já sei, você está se sentindo farto, mal, algo assim?
- Você consegue ler meus lábios?
3º mico – baixa visão não vê detalhes, não dá para ler lábios ...
A cara de interrogação do Rubens, a cada pergunta, era de dar dó.
Mas a sintonia do coração e da solidariedade é infalível.
Passados alguns minutos, tomamos fôlego e recomeçamos.
- “Espera só um pouquinho que vou trocar de roupa para poder pedalar”.
Antes de ir, ele repetiu o segundo gesto e também entendemos:
- “Cadê o Marcelino?”
Daí lembrei, em euforia, que eu sabia aqueles sinais de LIBRAS (Linguagem Brasileira dos Sinais) gravado em um daqueles folhetins que eu havia comprado há muuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiito tempo de um surdo-mudo em um bar e acabei decorando pois “um dia poderia precisar”.
Pronto, aí a comunicação fluiu.
Pedalamos e foi uma maravilha...
A Rosi e a Mari, na maior empolgação, fazendo planos e concretizando uma dupla que promete muito sucesso.
Chegamos e comemoramos: todo mundo agüentou bem!!!
Até que o Wallace, deficiente visual, perguntou: o Rubens agüentou ir e voltar?
- Sim, agüentou!!!!
- Parabéns, Rubens!!!! Gritou o Wallace batendo palmas.
- Wallace ele não ouve...
Gente, aí vimos que esse seria o nosso maior desafio: promover a comunicação entre os DVs e os DVSMs.
Peguei nas mãos do Wallace e mostrei a ele como se batia palmas em LIBRAS (levantando as mãos e balançando-as em torno de si mesmas– o Marcelino havia me ensinado a pouco).
Muita muita muita emoção. Haja lágrimas nos olhos...
Micos a parte, solidariedade em evidência, está aí o nosso Projeto Deficiente Visual na Trilha voltando à ativa e nos enchendo de vida e motivação.
Agradeço a presença de todos e convido, quem quiser passar por estas e mais outras emoções, que venha nos conhecer e participar da superação dos nossos constantes desafios.
E, agora dia 13/04/2010, terminando de escrever esta cartinha para vocês, ouço o Bruninho dizendo:
- Aí, Simoninha, mais quatro DVs confirmados!!!! O Marcelino acabou e mandar um e-mail.
Um calafrio me percorreu a espinha e não paro de pensar... de onde tiraremos tantas tandem-bikes e condutores para atendermos nossos antigos DVs e os novos que não param de chegar?
Um grande abraço e até sábado!!!
Simone Cosenza
“Caro Danilo
Nesse sábado não poderei ir porque tenho um curso na Casa de Espanha sobre o Caminho de Santiago. Marcelino”
Texto elaborado por Simone Cosenza. |
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