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DEFICIENTE VISUAL NA TRILHA |
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Caros amigos do pedal,
No nosso último encontro, dividimos dois pequenos ovos de Páscoa para 20 pessoas (DVs, condutores e voluntários).
Todo mundo comeu e foi super legal.
Por viver num mundo de símbolos, um dos DVs disse que o que estava acontecendo "não era uma divisão, mas a multiplicação do chocolate da Páscoa".
Taí o nosso espírito: dividir nosso prazer de pedalar, nossa saúde, nosso tempo para que todos sejam beneficiados.
Abaixo, divido com vocês mais uma historinha que escrevi que conta um pouco sobre o Projeto.
Grande abraço,
Simone Cosenza Ela não está mais aqui conosco. Já se foi para a “verdadeira vida”. Com ela aprendi coisas incríveis... Eu era bem pequena ainda, uns 5 anos, quando saímos, pela pequena cidade de Monte Carmelo-MG, para visitar o que ela chamava de “meus pobres”. - Vamos na casa da Dª. Maria. Segure esse embrulho para dar para ela. Ai... ai ... ai... Era algo embrulhado num papel de jornal. Um pouco pesado para o tamanho. - ‘Quê’ que isso, Vó? - ‘Cê’ vai ver... E lá fomos nós caminhando e conversando. Eu, claro, morrendo de curiosidade. Dª. Maria nos recebeu com um abraço carinhoso. Nos convidou para sentar nos bancos da casa de chão batido. Serviu copos d’água. De repente, a Vó falou: - Entregue o presente para ela.
Daí eu pensei “Presente???? Embrulhado no jornal??? Muito estranho...” :) Dona Maria abriu. Dona Maria olhou. Aí chorou e chorou. Eu não entendi nada... Aquela senhora me abraçava apertado. Abraçava minha avó e não parava de agradecer.
Dizia:
O que será que tinha, afinal, naquele embrulho? Espichei o olho e vi que dentro do pacote tinha um queijo de minas e uma goiabada. Daí que não entendi nada mesmo... e segui pensando: - Uai... ela ‘tá’ chorando e muito feliz assim por causa de um doce e um queijo... eu heim... Será que ela tem algum probleminha de cabeça??? (como diziam na região)
Saindo de lá minha avó me explicou que na última visita havia perguntado para Dª. Maria:
A resposta foi: “Quando criança eu comi goiabada com queijo. Morro de saudades daquele gosto... hoje não tenho condições de comprar e não posso proporcionar esse prazer para os meus meninos. Daí eu entendi... tinha ajudado a realizar um sonho e nem sabia... Para mim tão simples, para aquela Senhora, tão significativo. Que nem a gente, aos sábados, pedalando com os ‘nossos cegos’. Para nós, tão simples... para eles, tão significativo. Segundo o Wallace - DV (cegueira total): "Depois que comecei a pedalar minha vida ficou colorida!" Voltando à Vovó... como se não bastasse aquela super experiência, ela arrematou a situação com uma frase que eu nunca esqueci: - Minha filha, não existem pessoas tristes. Não existem também pessoas felizes. Existem pessoas que sabem ser felizes. E pessoas que não sabem. Neste dia decidi que queria saber ser feliz. Mesmo assim, quando menos esperamos, somos pegos de surpresa em algumas situações. Vou falar do Rubens de novo... :) Ele é surdo (consequentemente mudo – aprendi que eles não gostam de ser chamados de ‘surdo-mudos’) e tem baixa visão em função de uma retinose pigmentar, doença progressiva que leva à cegueira total. Esse é o destino que o futuro reserva para ele: não ouvir, não falar e nem enxergar nada. Acontece que,contrariando a expectativa de quem está nesta situação, ele tem algo de surpreendente: está sempre sorrindo. Fala sério... parece que nem aprendi a lição com a minha avó... Olhem o que me peguei perguntando: - Marcelino, caracas... com toda a dificuldade que enfrenta, o Rubens está sempre sorrindo... Ele tem noção de tudo que se passa com ele? A parte intelectual dele é preservada? - Sim!!!! Ele é ótimo... inteligentíssimo. Arrasa nos jogos de xadrez. Uaaaau..... foi tipo um “TÓIM” na minha cabeça. O Rubens sabe ser feliz!!!!!! Vivendo, pedalando e aprendendo... Que tal ajudar a realizar um sonho? Sábado, dia 01/05/2010, 9:00 hs da manhã, no CEEDV (612 SUL) vai ter Projeto DV na Trilha. Visite nossa página www.dvnatrilha.com.br para nos conhecer melhor e venha participar do nosso encontro. Se puder, traga algum petisco para um simples café da manhã improvisado.
Traga também:
Um grande abraço,
Simone Cosenza Brasília, 29Abr2010 |
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